Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Rainha Carlota Joaquina era maquiavélica mas não foi infiel

A rainha Carlota Joaquina foi "maquiavélica, apesar de ser uma católica sincera", defende o historiador italiano Marsílio Cassotti que, na biografia sobre a mulher de D. João VI, argumenta que as supostas infidelidades "são rumores".
"Foi uma mulher maquiavélica, apesar de ser autenticamente religiosa, até fundamentalista", disse à Lusa o historiador, que refuta os argumentos de que alguma vez tenha sido infiel ao Rei, como apontavam os detractores da soberana.
"Se alguma coisa houve [extra conjugal], ou Carlota foi muito astuta - pois nada chegou aos dias hoje, não há documentação ou indício - ou teremos de concluir que de facto não houve nada", enfatizou o historiador.
Cassotti estudou também Maria Antonieta, mulher do rei francês Luís XVI, e Maria Luísa de Parma, casada com o rei Carlos IV de Espanha, e concluiu que "a todos estas mulheres calculadoras, maquiavélicas e intrigantes, a dada altura os seus detractores, não tendo outro argumento, apontaram-lhes o moral. Maria Antonieta teria tido um filho do conde de Fersen, Maria Luísa teria tido um do primeiro-ministro Manuel de Godoy, e Carlota de um serviçal da quinta do Ramalhal [Sintra]".
Na obra "Carlota Joaquina, o pecado espanhol", editada pela Esfera dos Livros, Cassotti traça o percurso da rainha desde Madrid, onde nasceu, até à morte, em 1830, aos 55 anos, muito debilitada, "sofrendo dores horrorosas nas articulações".
"Finalmente Carlota Joaquina falava verdade. " vista dos seus cortesãos padecia e estava de facto doente", salientou o autor, referindo que a mulher de D. João VI "várias vezes faltara à verdade, inventando estar doente, para, por exemplo, não jurar a Constituição [liberal] de 1820". "De certa forma - acrescentou - este seu final dignificou-a aos olhos do povo, e terá morrido satisfeita, pois o seu filho D. Miguel [absolutista] ocupava o trono".
O historiador afirmou à Lusa que a rainha "utilizou todos os que viviam à sua volta, desde o marido aos filhos, e até a si própria".
A soberana, considera Cassotti, "era uma mulher com uma inteligência acima da média e sabia disso, desde menina que lho reconheciam, o problema foi a interpretação que fazia da realidade, muito limitada pelo ambiente em que viveu e a educação irregular que teve, que não lhe permitia compreender as contradições do seu próprio carácter".
A filha de Fernando VII de Espanha tinha "um temperamento belicoso, ambiciosa, mas, apesar de calculista, não era fria, era até afectiva e ligava-se às pessoas, há até relatos da sua generosidade".
Com a sogra, a Rainha D. Maria I, estabeleceu laços de afectividade e terá sido a pessoa que "melhor a compreendeu e a recebeu como uma neta".
Cassotti refere, a título de exemplo, um episódio em que a rainha e Carlota, ainda infanta, "saíram juntas, sem cortejo, a rainha montada num cavalo, Carlota numa burra, e foram pescar na lagoa de Óbidos".
Outro facto "pouco conhecido" é que Carlota Joaquina, apesar de "reaccionária", foi jurada herdeira da Coroa de Espanha por parlamentares liberais e conservadores reunidos em Cádis [1812], o único território livre do poder napoleónico que ocupara o trono de Madrid.

Fonte:http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1288585
Imagem:http://org25.zorpia.com/0/3649/23355514.05bea3.jpg

Felicidade não tem receita e a vida é um acto heróico

Psicoterapeutas europeus estão reunidos em congresso para tratar emoções mais "positivas"

A depressão poderá ser definida como ausência de felicidade e é uma das situações mais frequentes no Mundo, lembrou esta quinta-feira um psicoterapeuta falando para os seus pares europeus, reunidos para discutir o que é a felicidade.
A felicidade também pode ser isto: ter a hipótese, num lar de idosos, de escolher entre dois pratos. Psicólogos monitorizaram uma situação desse tipo e chegaram à conclusão de que tal bastava para melhorar o estado de espírito dos utentes. O exemplo foi ontem referido pelo conferencista que abriu ontem, em Lisboa, o 16.º Congresso da Associação Europeia de Psicoterapia.
Segundo Alfred Spitz, "a felicidade é algo que todos querem e é muito rara", não podendo também ser reduzida a tabelas que entram sobretudo em linha de conta com o rendimento e a estabilidade. "A vida é um acto heróico", disse. O mesmo especialista avalizou a sabedoria popular, segundo a qual o dinheiro não traz felicidade e lembrou também que não há pílula para obter tal efeito, ainda que há uns anos se pensasse que a indústria farmacêutica tivesse aberto o caminho. A chamada hormona da felicidade, a oxitocina, também não resulta para além da libertação natural que pode ocorrer no organismo, alertou Alfred Pritz. O mesmo orador forneceu algumas pistas para "uma vida boa": um bom ambiente durante a infância, o interesse por variadas questões, a liberdade de escolher (sem a qual se abre o caminho para a depressão) e a fixação de objectivos a atingir (sem o que se fica com a sensação de estar só a perder tempo). O psicoterapeuta indicou ainda como aspectos essenciais as ligações familiares e o interesse pelos outros.
"Depressão é a ausência de felicidade", definiu Pritz, indicando alguns ingredientes: desvalorização do próprio e dos outros e incapacidade de imaginar o futuro.
Este congresso reúne 300 psicoterapeutas e é, segundo o seu presidente, "uma provocação" a estes profissionais no que toca à escolha do tema. Telmo Baptista considera que "há na vida os estados de contraste e só se soubermos a diferença entre felicidade e infelicidade poderemos apreciar a primeira". Ainda segundo o mesmo professor universitário, o papel do psicoterapeuta permite, até pela sua formação pós-graduada, "trabalhar com questões complexas em termos de procura e transformação, de acordo com o que as pessoas (clientes) definem para si". Porque, de resto, "a procura da felicidade é sempre uma questão individual".

Eduarda Ferreira
In http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1290390

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Maravilhas de Portugal e Arredores















Aveiro, Portugal

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Humor sobre o Sistema Educativo! Naquele tempo...

Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os, dizendo:

- Em verdade vos digo: Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...

Pedro interrompeu:

- Temos que aprender isso de cor?

André disse:

- Temos que copiá-lo para o papiro?

Simão perguntou:

- Vamos ter teste sobre isso?

Tiago, o Menor queixou-se:

- O Tiago, o Maior está sentado à minha frente, não vejo nada!

Tiago, o Maior gritou:

- Cala-te queixinhas!

Filipe lamentou-se:

- Esqueci-me do papiro-diário.

Bartolomeu quis saber:

- Temos de tirar apontamentos?

João levantou a mão:

- Posso ir à casa de banho?

Judas Iscariotes exclamou(Judas Iscariotes era mesmo malvado, com retenção repetida e vindo de outro Mestre):

- Para que é que serve isto tudo?

Tomé inquietou-se:

- Há fórmulas? Vamos resolver problemas?

Judas Tadeu reclamou:

- Podemos ao menos usar o ábaco?

Mateus queixou-se:

- Eu não entendi nada... ninguém entendeu nada!

Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele, dizendo:

- Onde está a tua planificação? Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica mediatizada? E a avaliação diagnóstica? E a avaliação institucional? Quais são as tuas expectativas de sucesso? Tens a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão? Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos conhecimentos prévios? Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem? Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo? E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais? Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e cooperativos das áreas concomitantes? Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico constituídos pelos núcleos generativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?

Caifás, o pior de todos os fariseus, disse a Jesus:

- Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás notificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovas alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva!

E Jesus pediu a reforma antecipada aos trinta e três anos...

Fonte e imagem: http://dererummundi.blogspot.com/2009/06/humor-sobre-o-sistema-educativo-naquele.html

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Projecto Hoje quer homenagear Amália Rodrigues, "artista pop em todo o seu esplendor"



O álbum "Amália Hoje", que transforma em canções pop alguns fados conhecidos de Amália Rodrigues, pretende mostrar o "passado tremendo" de "uma artista pop em todo o seu esplendor", disse o autor do projecto, Nuno Gonçalves.
O disco foi lançado no final de Abril, foi apresentado na íntegra no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, numa sessão que contou com a participação dos músicos que integram o grupo Hoje, criado propositadamente para este projecto: Nuno Gonçalves e Sónia Tavares, dos The Gift, Fernando Ribeiro, dos Moonspell, e Paulo Praça, dos Plaza.
Na audição integral do álbum, ficou a saber-se que "Amália Hoje" apresenta nove fados, a maioria com música que Alain Oulman compôs para Amália, com letras de poetas portugueses, como "Abandono" (David-Mourão-Ferreira), "Fado Português" (José Régio), "Gaivota" e "Formiga Bossa Nova", ambos de Alexandre O´Neill.
Há ainda "Nome de rua", de Alain Oulman com poema de David Mourão-Ferreira, o tema francês "L´important c´est la rose", de Gilbert Becaud e que Amália cantou em francês, "Grito", que a fadista escreveu com música de Carlos Gonçalves e, a fechar", "Foi Deus", de Alberto Janes.
Musicalmente, não há praticamente nada que ligue estes temas aos fados que ficaram conhecidos na voz de Amália Rodrigues. Não há guitarras portuguesas, os arranjos assemelham-se à sonoridade dos The Gift, com a presença de orquestrações densas, de intensidade em crescendo e de apontamentos electrónicos a marcarem a cadência rítmica.
Destaque para "Formiga Bossa Nova" que Fernando Ribeiro interpretou num registo melódico que o afasta completamente da imagem de vocalista da banda heavy metal Moonspell.
Já "Fado português" e "Foi Deus", interpretados sobretudo por Sónia Tavares, vivem da forte presença de instrumentos de cordas, com a participação da London Session Orchestra.
Nuno Gonçalves, autor dos arranjos e da direcção musical, explicou que a intenção do projecto era mostrar algo "de novo e de diferente", mostrar Amália "com mais cor do que nunca" e que, como artista internacional, existiu para além do fado.
"A nossa missão era sermos fiéis àquilo que achamos serem as nossas influências modernas da estrutura pop rock, cantar em português e de alguma forma não ter medo de desrespeitar a obra e esse é o segredo, ter um pé na tradição e não ter problemas de mudar a cor", explicou Nuno Gonçalves.
"Acho que Portugal nunca entendeu bem o que ela foi e, se este disco, com a modernidade que transmite, puder fazer isso em 2009 e dez anos depois de ter morrido, acho que já é uma missão cumprida", rematou o músico.
Os três vocalistas dos Hoje referiram que aceitaram participar no projecto com a relutância inicial de quem não sabia interpretar os fados e muito menos entrar no universo de Amália Rodrigues, mas o resultado final demonstrou ser "tradicionalmente moderno", disse Paulo Praça. "Achei sempre que não conseguia, porque o registo da voz da Amália é muito diferente do meu", disse Sónia Tavares, mas à medida que a cantora entrou no ambiente musical do projecto, encontrou o tom "pop" que Nuno Gonçalves pretendia e perdeu "o medo de dar voz à senhora dona Amália".
"Amália Hoje" foi editado a 27 de Abril pela La Folie, editora criada pelos The Gift, e pela Valentim de Carvalho Multimédia.

Fonte: http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Projecto-Hoje-quer-homenagear-Amalia-Rodrigues-artista-pop-em-todo-o-seu-esplendor.rtp&article=211710&visual=3&layout=10&tm=4

Prémio ONU na ponta do lápis


A história de... Patrícia Santos, estudante do 9.º ano

Aos 15 anos, tem dois prémios internacionais no currículo. O último, atribuído pela ONU. A culpa é da mão que desenha e pinta. Só não guarda os trabalhos, quase sempre deixados incompletos
Se a professora e as amigas não tivessem insistido tanto, talvez Patrícia Santos tivesse deixado o desenho a meio, como é hábito seu. Mas o girassol amargurado com as maldades que o Homem faz ao Planeta ficou pronto num dia. E garantiu-lhe o primeiro prémio europeu do Concurso Internacional de Pintura Infantil sobre o Meio Ambiente, promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU). A aluna de 15 anos, que frequenta o 9.º ano no Agrupamento de Escolas Infante D. Pedro, em Buarcos (Figueira da Foz), não tem desenhos para mostrar. Nem um. "Nunca guardo trabalhos, não os acabo. São, quase sempre, rascunhos", conta, com uma naturalidade desarmante. E o cartaz premiado, entre mais de 9 500 propostas vindas de 32 países da Europa, não está consigo. Nem sabe bem onde pára.
Apesar disso, esta não é a primira distinção que lhe sai da ponta do lápis. No ano passado, conquistou o segundo prémio mundial no Concurso Cartaz da Paz, do Lions International. Nada que lhe cegue o olhar ou faça explodir o entusiasmo.
Patrícia Santos nem tenciona ir a Daejon, na Coreia do Sul, em Agosto, para representar a Europa na etapa mundial do concurso. A explicação? Nem ela nem a família se dão bem com o Inglês. E os contactos para conseguir um tradutor não deram frutos. A decisão foi tomada. Parte do prémio - duas viagens à Coreia do Sul, onde terá lugar a Conferência Internacional das Crianças para o Meio Ambiente - está perdida. Faltam os mil dólares [715 euros], ainda por atribuir.
Patrícia fala muito pouco, os óculos não lhe disfarçam a timidez. "Não sei por que fui escolhida", lá solta, a custo. Depois, explica que o gosto pelo desenho a acompanha desde a infância, talvez por influência da irmã, mais velha, igualmente dotada. "Desenho desde muito pequena. É algo tranquilo", conta a aluna, apostada em seguir Artes para, mais tarde, tirar um curso ligado ao design gráfico. "Também gosto muito de computadores e, assim, junto as duas coisas", esclarece.
A organização do concurso está a cargo do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), da Fundação para a Paz e Meio Ambiente (FGFE), bem como dos grupos Bayer e Nikon. Dirige-se a crianças e jovens, dos 5 aos 14 anos - Patrícia Santos estava no limite, quando se sagrou vencedora - e já suscitou mais de 200 mil inscrições, oriundas de uma centena de países, desde a estreia, em 1990, segundo nota do Ministério da Educação enviada às redacções.

Carina Fonseca

In http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1282162
Imagem:http://copy.pnn.pt/noticias_imagens/concursopintura.jpg

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Psicologia Aplicada - Psicologia do Desporto

Pensamento Crítico


E que tal começar por aqui??!!

O Exemplo do Modesto País para lá do Atlântico

No presente, as políticas ocidentais para a educação não são, pelo menos no papel, substancialmente diferentes de país para país.
Tais políticas assentam num conjunto de pressupostos sobre o ensino e a aprendizagem, daí que quem o siga tenda a ver a realidade com os mesmos olhos, independente de ser português, espanhol, americano, ou canadiano.
Isto a propósito da opinião elogiosa que um especialista em tecnologia da Universidade de Toronto, de seu nome Don Tapscott, publicou num blogue sobre o sistema de ensino português, depois de ter visitado, em Abril, o nosso "modesto país para lá do Atlântico".
Escreveu ele que estamos a investir na "criação de um novo modelo de ensino", tendo-se pronunciado, em particular, sobre uma das medidas que o concretizam e que teve oportunidade de observar directamente: o uso de computadores individuais em sala de aula.
Há duas ou três afirmações deste especialista que, além de recorrentes, me parecem preocupantes.
Uma delas é a seguinte:

“Teachers facing a classroom of kids with laptops need to learn that they are no longer the expert in their domain; the Internet is”.

(“Os professores que se deparam com uma sala de aulas cujos miúdos têm computadores portáteis precisam de aprender que já não são os especialistas no seu domínio: a Internet é que é".)

Ao contrário, entendo eu que os professores, independentemente dos recursos que têm à sua disposição, não podem abdicar do papel de especialistas no seu domínio. A Internet não substitui os professores, porque são estes, e não a Internet, que têm a incumbência de educar formalmente. Aos professores cabe levar os alunos a adquirirem os conhecimentos e a desenvolverem as capacidades que constam nos currículos e programas. Para tanto, devem recorrer a estratégias pedagógico-didácticas que a investigação indica como eficazes, mas de acordo com as especificidades da escola, da turma e dos alunos.

Outra afirmação é a seguinte:

“The teacher directed the kids to an astronomy blog with a beautiful color image of a rotating solar system on the screen. “Now,” said the teacher, “Who knows what the equinox is?” Nobody knew. “Alright, why don’t you find out?”. The chattering began, as the children clustered together to figure out what an equinox was. Then one group lept up and waved their hands. They found it! They then proceeded to explain the idea to their classmates."

("O professor direccionou os alunos para um blogue de astronomia (…) “Agora”, disse o professor, “Quem sabe o que é um equinócio?". Ninguém sabia. “Muito bem, porque é que não descobrem?”. A tagarelice começou assim que os alunos se juntaram para resolver a questão … Um grupo levantou as mãos. Encontraram a resposta! Então, explicaram a sua ideia aos seus colegas".)

Esta estratégia, que consiste em levar os alunos a pesquisar a partir de uma questão, pode e deve ser usada em contexto de sala de aula, mas tem de ser sempre controlada directamente pelo professor, que tem por obrigação assegurar-se previamante que os alunos dispõem de bases para encontrar as respostas, que recolhem o conhecimento certo, que a explicação que fazem aos colegas vai no mesmo sentido e que os colegas a entenderam. Mais, esta estratégia é uma entre outras, pois direcciona-se para o desenvolvimento de certas capacidades, não para todas. Além disso, o tempo dispendido com ela não se compadece com a fluidez requerida pelo ensino.

Uma terceira afirmação é a seguinte:

“They were collaborating. They were working at their own pace. They barely noticed the technology, the much-vaunted laptop. It was like air to them. But it changed the relationship they had with their teacher. Instead of fidgeting in their chairs while the teacher lectures and scrawls some notes on the blackboard, they were the explorers, the discoverers, and the teacher was their helpful guide.”

("Estavam a colaborar. Estavam a trabalhar ao seu próprio ritmo. Parece que não davam conta da tecnologia, do muito falado computador portátil. Era como ar para eles. Mas mudou a relação que tinham com o seu professor. Em vez de se agitarem nas suas cadeiras enquanto o professor explicava e escrevia apontamentos no quadro, exploravam, descobriam, tendo o professor como guia".)

Vejo neste discurso antiquíssimo (a diferença aqui situa-se apenas no recurso em questão) o grande perigo de se entender a aprendizagem de maneira mais ou menos desligada do ensino, pressupondo-se que o aluno sabe o que deve aprender, quando e como deve aprender, sendo capaz, por si só ou cooperativamente, de descobrir todo o conhecimento e de desenvolver todas as capacidades que estão determinadas nos documentos curriculares. Entendo que o papel do professor não pode reduzir-se ao de guia, ainda que em alguns momentos o possa ser, pois é a ele que cabe a direcção da aula, mesmo quando dá possibilidade aos alunos de desenvolverem trabalhos de pesquisa. Desta passagem parece também depreender-se que a explicação do professor e o uso do quadro são estratégias opostas ao uso do computador e, como tal, desaconselhadas. Ora, não são uma coisa nem outra: as estratégias e os recursos educativos podem ser ou não eficazes, dependendo do modo como se utilizam.

A finalizar saliento a recomendação que Don Tapscott faz ao presidente dos Estados Unidos da América: "Quer resolver os problemas das escolas? Olhe para Portugal!".

Tenho esperança que, caso o presidente Obama leia o artigo, perceba duas coisas:

Primeira: Que a observação que Don Tapscott fez do ensino em Portugal foi pontual e reduziu-se a um número muito limitado de salas de aulas, se não, mesmo a uma só. E que essa observação não teve um suporte teórico e metodológico que fosse além do senso-comum. Logo, não é uma observação que permita fazer generalizações, ainda mais quando se trata de resolver os problemas dum quadro educativo tão complexo como é o dos Estados Unidos.

Segunda: Que como ele próprio afirma "os estudos sobre o impacto dos computadores na escola têm sido inconclusivos ou pouco discriminativos. Um problema-chave é que simplemente apetrechar as escolas com computadores não é suficiente".

Por Helena Damião
In http://dererummundi.blogspot.com/2009/06/o-exemplo-do-modelo-do-modesto-pais.html
Foto:http://dererummundi.blogspot.com/2009/06/o-exemplo-do-modelo-do-modesto-pais.html

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Morreu Michael Jackson

Cartoon de Henrique Monteiro

O cantor norte-americano Michael Jackson sofreu uma paragem cardíaca esta quinta-feira e não resistiu. À chegada ao hospital, uma equipa de médicos e cardiologistas tentou reanimá-lo, sem sucesso, durante cerca de uma hora.
Às 12.20 horas (20.20 em Lisboa), os paramédicos chegaram a sua casa em Holmby Hills. Michael Jackson , que faria 51 anos no dia 29 de Agosto, já não respirava. O músico foi submetido a uma massagem cardiopulmonar na ambulância que o transportou ao hospital, que fica apenas a dois minutos da sua residência.
"O seu médico pessoal, que estava com ele, tentou reanimar o meu irmão. Como fizeram os socorristas que o transportaram para o hospital Ronald-Reagan da UCLA", disse Jermaine Jackson, lendo uma declaração, poucas horas após a morte do irmão.
Os médicos acabaram por confirmar a morte de Michael, que teria chegado ao hospital em coma profundo. "À sua chegada ao hospital, às 13:14 (21:14 em Lisboa), uma equipa de médicos com cardiologistas tentou reanimá-lo. Durante mais de uma hora. Não teve êxito", acrescentou Jermaine Jackson.
"A nossa família pede aos meios de comunicação social que respeitem a nossa vida privada durante este período difícil", acrescentou Jermaine Jackson. "Que o nosso amor esteja contigo, Michael, sempre", concluiu.
Centenas e centenas de fãs fizeram uma autêntica peregrinação entre o hospital e a casa do artista. Por todo o Mundo, desde presidentes como Hugo Chavez, a Governos, do Japão a França, todos choram a morte de Michael Jackson.

"Thriller" vendeu 50 milhões de cópias

A estrela da pop, que atingiu o zénite da carreira durante a década de 80, conseguindo que o seu álbum "Thriller" fosse o mais vendido da história, preparava o relançamento da carreira já para o próximo mês de Julho. No entanto, os rumores de que estaria a ter problemas de saúde começaram a ganhar alguma consistência: o jornal sensacionalista britânico "The Sun" noticiou, em Dezembro do ano passado, que Michael padecia de cancro na pele. Todavia, a informação seria negada no mesmo dia.
Mas veio depois o anúncio do adiamento da série de 50 concertos, intitulada "This Is It", que tinha previsto para Londres. A data de início passou de 8 para 13 de Julho, com a justificação de que tudo se devia a problemas logísticos.
Os bilhetes tinham sido colocados à venda em Março e esgotaram em apenas cinco horas. Segundo a revista "Billboard", estes concertos iriam render a Michael qualquer coisa como 50 milhões de dólares. Mas ninguém sonhava que, afinal, nem a segunda data viria a ser cumprida.
Michael Jackson tem como imagem de marca as inúmeras plásticas que lhe transformaram o rosto por completo, com as quais despiu de vez os traços africanos. A própria cor da sua pele deixou de ser marcadamente negra. Estas intervenções deixaram-lhe profundas marcas, ficando debilitado tanto em termos físicos como psicológicos - passou a aparecer publicamente com o rosto sempre protegido.
O cantor teve a persegui-lo o caso de pedofilia em que se viu envolvido, que acabou num acordo que lhe ficou particularmente dispendioso com os pais da criança. Este episódio trouxe-lhe graves problemas para a carreira, estando na origem do seu período de afastamento.
Estrela à escala global, a sua morte provocou uma reacção em cadeia. Por exemplo, a wikipédia, passados apenas minutos sobre a notícia, já tinha alterado os verbos para o passado. Também no You Tube começaram de imediato a surgir os tributos.

Fonte: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=1273935


Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Crise Académica - Coimbra 1969


Trabalho impressionante e fundamental sobre a Crise Académica em Coimbra - 1969
Oferta do Profº Celestino Chaves

Cosmogonias: Mito, Filosofia, Ciência

Informação recebida da Associação de Professores de Filosofia

Conímbriga: 3 de Outubro de 2009

2ºs Encontros de Filosofia Antiga


COSMOGONIAS: MITO, FILOSOFIA, CIÊNCIA


Auditório do Museu Monográfico de Conimbriga

Com: José Ribeiro Ferreira, António Pedro Mesquita, David Santos, Rudolfo Lopes, António Manuel Martins, Gabriela Baião e Carlos Fiolhais

Organização: Associação de Professores de Filosofia

Pergaminhos de Moralidade

Enquanto assobias uma canção despreocupadamente, erguem mais um muro que separa o outro mundo do nosso pleno mundo. Dos nossos pulmões dos nossos frutos maduros. Enquanto te aquietas com uma febre e derretes tudo o que se move com frascos e boiões de pastilhas. Te não importes porque viverás eternamente. Te não importes porque haverá sempre quem limpe as teias de aranha. E todo o restante mundo trabalha e trabalha e trabalha. Todo o restante mundo tanto do restante mundo. A neve está para chegar não te apoquentes. e uma tão grande quantidade de mundo aquiesce e chora. Não te seguem e voltaram-te as costas. Quando te dizem que não precisam de ninguém não sabem o que dizem. Nunca estiveram tão desesperados. Também não estão à espera do messias. Há um jugo de razão que corta como faca vagalhão. Há um jugo de desesperados…
Julgaste inatacável porque contribuis com uma migalha para a sociedade das nações. Mas fechas os olhos e assobias para outro lado. Ris abertamente da vida que te foi dada viver. Ris. E esse riso é a tua estrada. Não precisas de ninguém. Os teus sonhos são para cumprires sozinho. Nunca viste cair ninguém. Nunca olhaste. Nunca procuraste olhar.
Estás ciente de que há justiça no mundo. Tornaste-te um cínico e um hipócrita. Porque compras bens de elevado preço. E entregas a moeda ao pobre que te espiga a mão. Não tens raízes. És cidadão do mundo. És da cor da tua maquilhagem. Tens a palmilha da tua máscara. Dizes que não queres ver de que cor são as feridas e a diarreia. de que sabor são os furúnculos do esquecimento e da fome. E não vês porque te agoniam. E então pretendes estar tudo tão bem. Crês nas ilusões que te deixam tão bem disposto. És um produto és uma falácia és um pequenino papagaio que se comporta como uma estrela. Enquanto assobias tão despreocupadamente. Alvas os braços ao centro da chuva. E escorre medo como se fosse agonia.

Nuno Monteiro
In http://cus-de-judas.blogspot.com/2009/06/pergaminhos-de-moralidade.html

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Bullying "arruina a vida" de cerca de 40 mil crianças portuguesas

Especialista diz que pelo menos dois milhões de crianças são vítimas deste tipo de violência na Europa.
O "bullying" é uma guerra silenciosa que atinge muitos lares portugueses e "arruína a vida" de cerca de 40 mil crianças, com elevados custos para o Estado, segundo o director de uma associação de pais cristãos holandesa.
A estudar este tipo de violência física ou psicológica desde 1994, Werner Katwijk, director da Ouders & Coo, afirmou no seminário " Bullying - Prevenção da violência na escola, no trabalho e na sociedade", promovido pela Fundação Pró Dignitate, que dois milhões de crianças são severamente vítimas deste fenómeno na Europa.
Katwijk citou um estudo realizado em 2000 na Holanda com crianças que frequentavam a escola, segundo o qual, dos 2,4 milhões de crianças holandesas, 385 000 eram vítimas de bullying por outras crianças e entre elas 75 000 foram de tal forma vítimas de violência física e psicológica que a vida escolar se tornou um inferno.
Segundo o responsável, estas crianças que foram vítimas graves deste tipo de violência e que tiveram de repetir um ano na escola representaram um custo médio para o Estado de nove mil euros.
Por outro lado, acrescentou, uma criança vítima de bullying irá enfrentar muitos problemas durante a vida: desde distúrbios na alimentação, desemprego, problemas de relações humanas, o medo de terem os seus próprios filhos e um elevado risco de suicídio como resultados destes traumas.
"Os efeitos de bullying são graves e causam falta de auto estima. As pessoas sentem-se insignificantes e sem valor", comentou.
Mas este fenómeno não atinge só crianças, há também muitas vítimas no local de trabalho.
Um estudo holandês revelou que cerca de 300 mil trabalhadores eram vítimas deste fenómeno no local de trabalho, o que representa um custo anual de cerca de 12 milhões de euros naquele país.
Segundo Katwijk, o custo médio de um trabalhador vítima de bullying é de 50 mil euros
"Se compararmos a Holanda com Portugal e se partirmos do princípio de que a média do trabalhador português é semelhante ao holandês os resultados serão parecidos", sustentou.
Presente no seminário, o psicólogo criminal Carlos Poiares afirmou que há uma "ligação muito grande entre a violência em casa e a violência na escola".
"Quando o marido bate na mulher está, pelo menos, a agredir psicologicamente os filhos", sublinhou o psicólogo, acrescentando que muitas vezes a criança reproduz a violência a que assiste, porque percebe que "quem é violento é quem manda em casa".
Para Carlos Poiares, o combate à violência passa pela família, rua, médico e escola e pela prevenção, que é fundamental.
"Nós não temos maus pais, maus professores e maus alunos. O que temos são maus cidadãos", afirmou, considerando que há um défice em Portugal na "formação para a cidadania".
O psicólogo criticou ainda a violência mediatizada nas televisões, nomeadamente nos desenhos animados.
"A violência é a segunda fonte de rendimento, a seguir ao futebol, para quem a mediatiza", frisou. Esta opinião foi partilhada pela presidente da Fundação Pro Dignitate, Maria de Jesus Barroso, afirmando que a comunicação social tem uma grande responsabilidade social e pode inverter esta situação.
"A sociedade está muito embebida de violência e temos de obrigação de fazer um esforço no sentido de a diminuir ou eliminá-la", afirmou Maria Barroso à agência Lusa, à margem do encontro.
A secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz, salientou, por seu turno, o papel das escolas, que devem de "um modo formal e informal combater a segregação e exclusão social" e aprofundar as ligações com a comunidade.
Para Idália Moniz, a forma de combater este fenómeno passa também por um trabalho de capacitação não só dos técnicos, como dos interventores a nível educativo e pedagógico.

Fonte: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1270689